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O Escaravelho das palmeiras


O Escaravelho das palmeiras, (Rhynchophorus ferrugineus Olivier), é um insecto castanho cor de ferrugem, que pode atingir 5 cm de comprimento, e que ataca as palmeiras, principalmente a Palmeira das Canárias (Phoenix canariensis), levando à sua destruição, facto que pode acontecer em poucas semanas a partir do princípio do ataque.


Este insecto apareceu em Portugal, no Algarve, em 2007 (vindo de Espanha onde apareceu em 1996); aí, tornou-se rapidamente uma praga importante para as Palmeiras das Canárias, tendo destruído muitas destas plantas ao longo do tempo. Daqui, propagou-se a várias regiões do País, nomeadamente a vários Concelhos do distrito de Lisboa. Por volta de 2009, foram detectados alguns focos em zonas dos Concelhos de Sintra e Cascais; em Sintra, começou a provocar grandes estragos no ano de 2013.


Estes escaravelhos necessitam de 3 a 4 meses para completar o ciclo de ovo a adulto e pode-se esperar, portanto, pelo menos 3 gerações anuais; podem fazer voos contínuos de cerca de 5 Km e as suas fêmeas podem pôr entre 300 e 400 ovos, o que implica uma enorme capacidade reprodutiva e de colonização.


As fêmeas colocam os ovos em feridas existentes nestas plantas ou na base das folhas. Dos ovos, ao fim de 2 a 5 dias, nascem as larvas de cor branco marfim a ocre, com forma de pêra e podendo atingir 5 cm. São as larvas as responsáveis directas pelos estragos, pois vivem no interior das palmeiras onde se alimentam, destruindo, assim, a planta. Se o ataque se efectua no interior do meristema apical da palmeira, esta pode morrer rapidamente; se as larvas se estão a alimentar da parte alta do tronco mas o ataque não é muito profundos, as folhas jovens ao sair para o exterior mostram a ponta comida, frequentemente roída em forma de V. Embora estes insectos voem, têm hábitos muito sedentários e não costumam sair de uma palmeira para outra enquanto a primeira estiver viva ou em condições para eles se reproduzirem; por outro lado, se houver várias palmeiras no local, passam frequentemente de uma para a outra a andar e não a voar. Este insecto é também muito fiel ao tipo de alimento e, embora haja registos de muitas espécies susceptíveis, talvez não sejam de esperar ataques frequentes a outras espécies enquanto houver quantidade suficiente de Phoenix canariensis para eles se alimentarem.


Como saber se a palmeira está atacada?


A altura de muitas palmeiras dificulta a observação e a detecção precoce; assim, a maneira mais prática de saber se a palmeira está atacada é através da observação de um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Coroa desguarnecida de folhas jovens no topo ou aspecto achatado devido ao decaimento das folhas centrais;

  • Folhas do topo caídas com desigual inserção;

  • Folhas do topo roídas e desiguais;

  • Presença de orifícios ou galerias na zona de corte das podas;

  • Disposição das folhas das palmeira de forma não simétrica.


Infelizmente, muitas vezes, não se consegue detectar precocemente nenhum destes sintomas e quando se vê algo de estranho já é tarde para salvar a palmeira.


Como saber que a praga chegou ao local onde existem palmeiras?


Quem tem palmeiras e as quer proteger poderá saber se a praga chegou ao local através de colocação de armadilha apropriada para capturar estes insectos. A armadilha deverá ser colocada numa zona onde haja palmeiras mas afastada destas, deverá ser enterrada até ao nível dos buracos com água lá dentro (para que os insectos ao entrarem não possam sair). Para atrair os insectos à armadilha colocam-se pendurados no gancho da tampa da armadilha 2 tipos de atractivos: 1 difusor de feromona ECONEX FERROLURE (atractivo sexual), 1 difusor de Kairomona ECONEX WEEVIL MAGNET (atractivo alimentar) – basta abrir cada uma das embalagens prateadas, onde está cada um dos difusores e pendurá-los no gancho, sem mais nada. A armadilha deve estar activa de Março a Novembro, período em que os adultos estão em actividade (os difusores têm a duração de 40 dias e, portanto, devem ser colocados em princípio de Março e substituídos de 40 em 40 dias até princípio de Outubro). A captura de insectos na armadilha indica que a praga está presente e que se tem de fazer tratamentos para proteger as palmeiras.

 

Quando, como e com o que fazer os tratamentos?


A partir do momento em que a praga está presente na área envolvente, os tratamentos têm de ser feitos preventivamente e mensalmente através de pulverizações insecticidas direccionadas para o topo da palmeira (a pulverização do insecticida é aplicada com 15 litros de água por planta). Os produtos insecticidas a utilizar podem ser o Confidor (15 ml para 15 litros), ou o Apache (15 ml para 15 litros) ou o Actara (8 gr para 15 litros). Em palmeiras altas, em vez de se fazer tratamentos com o pulverizador, poderá colocar-se um tubo de polietileno de 16 mm pelo tronco da palmeira acima com um pulverizador de rega na ponta, introduzindo mensalmente por esse tubo os 15 litros de calda com um dos produtos insecticidas indicados, recorrendo a uma bomba, para colocar a água no topo da palmeira, à qual se liga o tubo de 16 mm que vai pela palmeira acima. Em alternativa aos insecticidas acima mencionados, pode-se utilizar um produto à base de Clorpirifos (40 ml para 15 litros) quando este tratamento é feito de forma complementar ao tratamento por injecção, abaixo mencionado.

Para tratamentos preventivos em palmeiras ainda não atacadas, em alternativa ao referido no parágrafo acima ou de forma complementar, podem-se colocar 3 injectores no tronco, em ângulo de 120º entre eles, a uma altura de 1 metro em palmeiras particulares e a 3 m de altura em palmeiras na via pública (para evitar actos de vandalismo). Os injectores são colocados furando o tronco com uma broca para madeira de 40 cm de comprimento e 8 mm de diâmetro, ligeiramente inclinados de cima para baixo. Uma vez por mês, coloca-se nos 3 injectores uma solução composta por um dos insecticidas mencionado acima (15 ml de Confidor O’Tec ou 15 ml de Apache ou 8 gr de Actara) aos quais se adiciona água destilada até perfazer 40 ml de solução. Os injectores ficam permanentemente colocados na palmeira, fechados com uma tampa que cada um tem incorporada, uma vez que tem que se proceder a tratamentos mensais. No local do furo feito com a broca, os injectores são martelados para dentro do tronco, recorrendo a um martelo de borracha; antes de se introduzir os últimos 2 cm do injector no tronco, deve-se colocar pasta selante (por ex. Fitobalsam), envolvendo em toda a volta o topo do injector, após o que se martela os últimos dois cm para dentro, tendo o cuidado de não envolver a tampa do injector com o selante.

Para palmeiras com ataques já avançados mas ainda com possibilidade de recuperação, nos tratamentos feitos em 1), deve-se misturar um fungicida à calda. Isto é importante porque pelos buracos abertos no tronco da palmeira pelo insecto, entram fungos que vão ser responsáveis pela decomposição dos tecidos interiores da palmeira, aumentando os riscos da sua destruição. Os fungicidas a utilizar poderão ser vários, podendo utilizar-se uma mistura de Mancozebe e Rovral, nas quantidades, respectivamente, de 40 gramas e 25 ml para os 15 litros da calda.

Podem também ser aplicados, com bons resultados, produtos biológicos á base de nemátodos entomopatogénicos, pulverizados com água no topo da palmeira (como é o caso do produto Biorend).

 

Algumas situações a ter em conta:

 

Relativamente às podas:

  • Efectuar a poda de preferência de Dezembro a fevereiro, quando o insecto adulto está menos activo, porque as feridas da poda emitem odores que facilitam a detecção da palmeira pelo escaravelho a grandes distâncias, bem como facilitam a penetração pelas larvas.

  • Os cortes devem ser lisos e não lascados.

  • A superfície de corte de folhas verdes deve ser pincelada com uma pasta.

  • Destruir os resíduos resultantes da poda por queima, trituração ou enterramento.


Relativamente ao abate das palmeiras: Se após 3 a 6 meses de tratamentos não se observarem folhas novas a rebentar no topo da palmeira, é porque o meristema apical foi afectado de forma irreversível e não há nada a fazer, ou seja, a palmeira tem que ser abatida e os seus restos queimados ou triturados.

O abate das palmeiras sem recuperação é fundamental por uma questão de eliminação da praga e por uma questão de segurança de pessoas e bens. Uma palmeira muito atacada pode ser colonizada por fungos, apodrecer e cair.


Relativamente à legislação existente de combate à praga: Face à rápida dispersão da praga e à sua elevada nocividade, a União Europeia considerou-a de luta obrigatória, tendo publicado a Decisão da Comissão 2007/365/CE, posteriormente actualizada pela Decisão 2010/467/CE.


 

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    ACTUALIZAÇÃO 22-mar-2015 15:59 - © ADPSINTRA