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    "Antigamente, em tempos muito affastados das modernas civilisações, as florestas eram tidas como sagradas e tanto que n'ellas se celebravam muitas solemnidades ás divindades que se adoravam e á sombra de velhas arvores se realisavam actos dos mais solemnes para a vida dos povos."

 

Tude de Sousa

 

 

 

 

História do povoamento vegetal da Terra até ao aparecimento do Homem. Ênfase às Florestas, imprescindíveis, na actualidade.

 

Por:  Ernesto Rafael (Eng. Agrónomo)

 

 

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o Mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

 

Luís de Camões, líricas, soneto 17

 

 

Calcula-se que a primeira vegetação evidente na Terra, constituída por musgos e Rináceas, foi na Escócia, no período Silúrico da era Paleozóica [1], ou seja, mais de 6 mil milhões de anos após a formação do Planeta. Contudo, o início da vida estima-se ter sido no Pré-Câmbrico, da Era Criptozóica, com o aparecimento, entre outros, das bactérias e algas, na Suazilândia e Austrália Ocidental, há cerca de 4mil milhões de anos. Foi já no período Silúrico que as plantas e animais passaram da água à terra firme. No final deste período supõe-se terem surgido as Hepáticas e, depois nos 100 milhões de anos seguintes, as Briófitas, no período Devónico. Começou então a batalha entre as plantas e os animais, quando já existiam as Equisetáceas (cavalinha), as Licopodiáceas, plantas escamosas que chegaram a atingir 18m de altura e os Fetos, alguns arbóreos. A Terra começava a vestir-se de verde o que se intensificou nos 65 milhões de anos seguintes, já no Período Carbónico; surgiram as coníferas (gimnospérmicas), com início no Devónico Superior. As plantas vasculares começaram a estender as suas raízes para além dos pântanos e margens dos rios; são as primeiras árvores de caules lenhosos suficientemente fortes para suportar copas bem acima do solo, no Período Triássico, ao mesmo tempo que os dinossáurios que vieram a extinguir-se, 200 milhões de anos mais tarde, já no fim do período Cretácico e início da Era Cenozóica. Os mamíferos vindos também do Triássico, iniciaram o consumo das plantas de flor, que apareceram já no Jurássico, incrementando-se no Cretácico, até aos nossos dias (Período quaternário), nos últimos 150 a 200 milhões de anos. As plantas herbáceas rasteiras emergiram no Oligoceno, ou seja nos últimos 35 milhões de anos.

 

As primeiras Florestas ajudaram a oxigenar a atmosfera global e, os seus restos fósseis formaram depósitos de carvão e de petróleo que, agora, por continuarem a ser queimadas, inquinam a atmosfera. A estimativa de existência de espécies fósseis varia de 300 mil a 500 mil, durante os 3500 milhões de ano de vida, na Terra. Calcula-se que existem actualmente 10milhóes de espécies vivas (animais e vegetais). A vida média de uma espécie situa-se entre 1 e 10 milhões de anos (muito menos nas aves e mamíferos). É o resultado da evolução da Terra atravessada de vez em quando por catástrofes naturais. Julga-se que o número de espécies que já existiram oscila entre 50 e 4 mil milhões. Foi assim que as plantas passaram da água para a Terra, há mais de 400 milhões de anos e, depois apareceram as árvores e florestas de hoje, além da vida animal e outros vegetais que sustentam ou albergam são o resultado mais notável do longo processo de mudança e desenvolvimento, regulado por condições locais, alterações climáticas e catástrofes naturais. A árvore, suposta inicial da Terra, o Lepidodrendon, de natureza escamosa, acabou por se perder na luta pela sobrevivência, restando alguns parentes, entre os quais o Licopodium, trepadeiras de comprimento bem mais curto. Os fetos arbóreos concorreram com o Lepidodrendon, depois de terem evoluído de um modo de vida ainda rente ao chão, nas terras húmidas. Nas zonas mais secas surgiu, então, o pinheiro do Arizona (Pinus edulis), uma conífera que crescendo pouco foi o início de novas mudanças; outras coníferas se seguiram e, depois, as árvores de folha larga (folhosas) mais espectaculares na sua diversidade que, em vez de pinhas, produziram frutos provenientes de flores mais variadas; distinguiram-se os carvalhos e os choupos, no princípio e já no tempo dos primeiros hominídeos. Entre as árvores mais longevas distinguiram-se as sequóias que vivem frequentemente 800 e mesmo 2 mil anos e atingem 120 metros de altura. Outro exemplo é o das oliveiras que tivemos ocasião de ver em Israel, exemplares milenares, talvez até com 2 mil anos.

 

Nos últimos 10 mil anos, o Homem contribuiu para a destruição de cerca de um 1/3 das florestas então existentes mas, actualmente, luta não só pela sua preservação mas também pela criação de novos espaços florestais.

 

Essa luta não tem apenas objectivos económicos (como a exploração de madeira, pasta para papel e biomassa) mas visa também:

 

-      Contribuir para preservação da diversidade biológica e dos recursos naturais do território, não só pelas florestas em si mesmas como outras formas de vida que estas albergam, valorizando-as económica e socialmente;

-      Proteger as espécies ameaçadas de extinção;

-      Contribuir para a preservação e restauração da diversidade dos ecossistemas naturais;

-      Promover o desenvolvimento sustentável, a partir dos recursos naturais;

-      Promover práticas, na conservação da natureza e no processo de desenvolvimento;

-      Proteger paisagens naturais e pouco alteradas, de notável beleza;

-      Proteger as características de natureza geológica, geomorfológica, espeológica, paleontológica e cultural;

-      Proteger e recuperar recursos hídricos ou edáficos;

-      Melhorar a qualidade do ar e consequente qualidade de vida das populações;

-      Proporcionar meios e incentivos para a pesquisa científica, estudos e monitorização ambiental;

-      Promover condições para favorecer a educação e interpretação ambiental, a recreação em contacto com a natureza e o turismo ecológico;

-      Promover a utilização económica dos recursos naturais necessários à subsistência, respeitando e valorizando o seu conhecimento, a cultura e uso social.

 


[1] As Eras da Terra são: Paleozóico ou Primário, com os Períodos Câmbrico, Ordovício, Silúrico, Devónico, Carbónico e Pérmico; Mesozóico ou Secundário, com os Períodos Triássico, Jurássico e, Cretácico; Terciário com os períodos Paleocénico, Eocénico, Oligocénico, Miocénico e Pliocénico e o Quaternário (Sub-Períodos Pleistocénico e Holocénico). Considera-se ainda o Pré-câmbrico da Era Criptozóica, com a duração de 570 milhões de anos.

 


 

 

 

 

Excertos de escritos do Prof. Mário de Azevedo Gomes, acerca de Florestas

                       

Encontrarás mais verdade nas florestas do que nos livros

Nenhum mestre te ensinará o que te ensinarão florestas e rochedos

Anónimo franciscano

 

 

«A cultura florestal tem um carácter extensivo visto tirar da terra aquilo que ela lhe dá segundo as leis da Natureza, e sem permitir grande intervenção do técnico, nem carecer de grande dispêndio… temos na floresta uma cultura a longo prazo, isto é, feita com indivíduos de longa vida e com o propósito de continuidade no local; não há, na vida da árvore florestal, uma fase que corresponda ao termo da sua produção, uma altura que nos indique taxativamente que é…a apropriada para a colheita…ou abate para aproveitamento futuro e que contribua para a limpeza e continuidade do equilíbrio da mata. A continuidade da floresta é não só a produção de produtos como a madeira, a cortiça, as cascas taninosas, a resina, a celulose de madeira e grande parte da pasta para papel, álcool metílico, o gás da floresta mas também de benefícios que não sendo já de produção, embora difíceis de medir, são de floresta de protecção: fixação de dunas – defesa de terrenos vizinhos interiores; fixação de encostas – defesa contra a erosão e contra o regime torrencial de águas, regulação de cursos de rios, defesa contra as cheias, utilização de campos marginais; enxugo de pântanos, utilização de brejos, fixação de margens de cursos de água, utilização de terrenos impróprios para outras formas de utilização; melhoria do aproveitamento das águas superficiais e correcção dos rigores do clima; aumento de fontes e reforçamento do lençol freático; em casos especiais, promoção do aumento da precipitação meteórica (chuvas, nevoeiros, orvalhos, etc.), acção reguladora da temperatura do ar, aumento da humidade relativa; protecção contra os ventos, por meio de cortinas de abrigo o que é uma forma indirecta de melhorar climas locais; abrigo de criação de caça e de defesa militar; função de embelezamento e turismo.

 

(Compilado pelo Eng. Agrónomo Ernesto Alves Rafael)

 

 

 

 

Engenheiro  Florestal

Natureza do trabalho

 

Os engenheiros florestais (também designados por engenheiros silvicultores) estudam,  concebem, preparam e orientam a execução de trabalhos que visam a utilização múltipla e sustentada dos recursos florestais e a protecção das florestas e das árvores, contribuindo para o desenvolvimento económico do mundo rural e para a qualidade de vida nas zonas urbanas. Nestas actividades, têm em conta as características dos ecossistemas, as potencialidades produtivas da floresta, a especificidade das fileiras industriais, bem como a gestão dos recursos faunísticos, a influência da floresta no ambiente e na paisagem, o desenvolvimento rural e o ordenamento e planeamento do território.

 

Gerem a exploração das florestas, responsabilizando-se pelo crescimento, rentabilização e renovação do arvoredo, bem como dos animais e outras plantas nelas existentes. Definem formas de proteger e fomentar a vida selvagem, gerindo as populações de animais como corços, veados ou lobos, e de plantas como azevinhos, teixos ou espécies endémicas da laurissilva. Determinam medidas adequadas de protecção dos povoamentos florestais contra pragas, doenças, invasoras lenhosas e fogos. Estudam e aplicam técnicas de identificação de árvores e de exploração de produtos florestais como madeira, cortiça, resina e outros, trabalhando igualmente no desenvolvimento e transformação tecnológica dos diversos produtos florestais. Desenvolvem ainda novos produtos que têm como matéria-prima os produtos florestais tradicionais (cortiça, madeira, resina). Procedem ao ordenamento e gestão dos recursos naturais renováveis associados  à floresta, tais como a silvopastorícia (gestão de pastagens naturais e dos seus efectivos  pecuários), a apicultura (criação de abelhas e aproveitamento do mel e outros produtos apícolas), a caça, a aquicultura (reprodução de animais aquáticos em rios, lagos e outras águas interiores) e a pesca, determinando os locais próprios para essas actividades e as respectivas regras de utilização e manutenção. Desenvolvem o aproveitamento bioenergético dos resíduos florestais. Desenvolvem e aplicam técnicas de protecção dos solos contra a erosão hídrica e eólica. Concebem e implementam planos florestais regionais, planos de ordenamento de áreas protegidas e planos de gestão florestal.

 

Além disso, elaboram projectos de florestação e de reflorestação, determinando aspectos como as espécies e as técnicas silvícolas a utilizar, ou a infra-estruturação dos espaços florestais (caminhos, postos de vigia, etc.). Estes projectos podem visar, por um lado, a conservação dos recursos naturais (por exemplo, evitando a erosão dos solos ou a extinção de espécies protegidas) e, por outro, a produção de matérias-primas para a indústria do papel, mobiliário, rolhas de cortiça ou afins. Planeiam o corte das árvores, especificando a quantidade de árvores a abater, a época em que a operação deve ser realizada e os métodos a utilizar. Promovem a produção e a selecção de sementes e realizam pesquisas, procurando melhorar as características genéticas das plantas a utilizar na reflorestação. Identificam e classificam as diversas espécies de árvores, analisando as suas capacidades de adaptação ao ambiente. Concebem áreas florestais que incluem zonas destinadas ao turismo rural e às actividades recreativas como a caça, a pesca em águas interiores, o passeio e a manutenção física. Participam nas acções de combate e defesa da floresta contra incêndios. Desenvolvem estudos para preservação de parques e reservas naturais, defesa de espécies ameaçadas, recuperação de áreas degradadas e avaliação de impactos ambientais causados pela actividade humana. Participam, também, em projectos de florestação urbana, concretamente no aconselhamento sobre as árvores mais apropriadas para integrarem os espaços verdes das cidades e na concepção e implantação de parques florestais, parques urbanos, alinhamentos arbóreos e zonas de enquadramento. Participam em acções de fomento do associativismo dos proprietários florestais, caçadores, pescadores, pastores e outros utilizadores dos espaços florestais.

 

No seu trabalho, algumas tecnologias assumem grande relevância. Utilizam frequentemente sistemas de informação geográfica (SIG) e tecnologias de detecção remota e de tratamento de imagem (fotografia aérea, imagens de satélite, etc.) para construírem mapas temáticos de recursos florestais. Recorrem a sistemas informáticos para tratamento da informação relacionada com inventários florestais, censos de árvores ou de animais ou com a concepção de planos de gestão florestal. E manuseiam todos os instrumentos próprios de um laboratório (microscópios, tubos de ensaio, etc.) quando pretendem, por exemplo, investigar as características de uma semente.  Estes profissionais integram, com regularidade, equipas de trabalho multidisciplinares que podem englobar engenheiros do ambiente, engenheiros do território, engenheiros civis, engenheiros agrónomos, biólogos, arquitectos paisagistas, geógrafos e, por vezes, arquitectos, sociólogos, juristas e economistas. Os que optem por esta profissão devem considerar o  gosto pela natureza como um factor muito importante na sua escolha, pois estão obrigados a respeitar as leis de defesa do ambiente e a manter o equilíbrio entre os ecossistemas florestais e a necessidade de aproveitar os recursos da floresta para fins económicos ou recreativos. É igualmente importante o gosto pelas ciências físico-químicas e pela fisiologia (estudo dos órgãos dos seres vivos).

 

Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular

Escola José Régio

 

 

 

 

Associação de Defesa do Património de Sintra

1981/2011 - 30 anos a defender o património

 

 

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    ACTUALIZAÇÃO 20-dez-2012 19:33 - © ADPSINTRA